... E minha vida me trouxe até aqui...
Normalmente eu vejo comerciais de televisão e sinto um misto de nojo, raiva e aquela indagação: "Pô, será que nunca vai mudar esse negócio de que mulher é objeto pra vender cerveja e carro?"
De repente, eu vi o comercial do Chevrolet Prisma, e fiquei maravilhada.
É a primeira vez que eu vejo uma propaganda dar mais valor à história de uma pessoa que aos desejos primários e animais. Explico? Explico.
O comercial foi feito com um homem, mas poderia perfeitamente ser feito com uma mulher que o efeito seria o mesmo. O nosso passado e nossas recordações dizem muito do que somos hoje, e com certeza acabam por definir o nosso futuro também. E se é assim sempre, o que dizer de nossas escolhas básicas, como um carro por exemplo?
Estavam (quase) todos lá: Staypuff (o boneco de marshmallow que aqui apareceu nos Ghost Busters), o Fofão e sua cara de bulldog, o Zorro (esse eu trocaria pelo Batman, mas tudo bem), os pais, os amigos... Tudo dizendo o que fizemos em um tempo que foi muito bom e que tinha tudo para permanecer, mas por algum motivo que ninguém define qual é, acaba. E é por isso que lembramos com tanto carinho: nosso passado quando bem vivido é motivo de saudade, e ganha os ares da poesia. Alguém que viveu os anos 80 não se lembra dos filminhos japoneses onde os monstros eram declaradamente de espuma e os efeitos eram tão toscos que se tornavam legais? E quem não se lembra das Sessões da Tarde que sempre passavam aqueles filmes cheirando a formol, mas ao mesmo tempo tão interessantes para uma tarde de chuva com pipoca? As bagunças e os micos da escola? Primeiro beijo, naquela época quase roubado e não escancarado como agora?
Pois é, é a primeira vez que eu vejo um comercial que me fez ter saudades...
Pena que nem sempre os publicitários tem esse tipo de idéia tão linda.
O comercial, pra quem não viu ainda:![]() ![]() ![]() |
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